Belvedere é uma daquelas bandas que dificilmente erra a mão em um lançamento. Depois de 21 anos de carreira (prefiro não contar o hiato), ou você aprende e é um ás na música,  ou um insano procurando espaço. Felizmente eles se encontram na primeira opção, e mais uma vez mostram como um streetpunk deve ser feito. 
 
Vale ressaltar algumas coisas. Conheço pouco da banda, ouvi na época em que o This Is a Standoff estava pra tocar no Brasil, e como tinha muitos amigos que os veneravam, fui ver o porque e entendi. Não me apaixonei pela banda a ponto de entrar nas minhas playlists de todos os dias, mas consegui entender o porque de gostarem tanto dela. Vim, dessa forma, meio cru a respeito do som deles, então esperem uma resenha parcial e “de fora” do meio. Acho que assim será melhor ter uma opinião de quem não é tão acostumado ao som dos caras, pra entender como alguém que ouviu o álbum sem um bom conhecimento prévio da banda se sente.
 
Shipwreck começa a mil, e perdão pela comparação absurda, os primeiros segundos lembram um pouco das guitarras harmônicas do finado Hardneja Sertacore. Logo o vocal marcante nos rememora de quem estamos falando. Nos seus menos de 3min a faixa demonstra a versatilidade e técnicas características de bandas de hardcore melódico, com transições entre trechos mais lentos e outros mais absurdos na bateria, instrumento que mais se destaca nessa faixa, a meu ver. 
 
Hairline vem com uma pegada mais lenta, mas sem perder a pose instaurada na faixa anterior. Na verdade essa lentidão é algo passageiro, pois basta passar a introdução para entender que ela foi na realidade um prelúdio, pois lá está a velocidade presente novamente. Senti falta de mais dinamismo nessa faixa, um pouco mais de variações, algo que costuma ser uma das principais críticas dentro do hardcore em geral, apesar de crer que não seja algo estritamente necessário a todas faixas. Sendo assim, Hairline cumpre seu papel com um belo solo nos seus segundos finais, compensando a falta de maiores variações no restante da faixa.

 

 
Após ela, temos Years, faixa bem mais curta que as demais, mantendo um ritmo veloz e mais mudanças de técnicas que na anterior. Não apenas na musicalidade mas principalmente no vocal. Temos uma presença mais forte do baixo e guitarras mais nervosas e agudas. Pena a faixa ser curta, pois termina naquele momento que você já está envolvido com a música.
 
Transmissions lembra bandas de NYHC, pelo menos em seu início. Vemos meio que breakdowns no meio da faixa, que mantém o tom destruidor em todo seu percurso. Acho que foi a faixa que mais gostei, até aqui pelo menos.
 
Delicastressin é uma daquelas faixas mais pop, se comparando com o restante do CD, mas que te pega de jeito. Aquela bateria de entrada mais pulsante, com cara de preparação para um bom solo, deixa os ânimos preparados para algo divertido. O vocal chega do nada, e se encaixa perfeitamente na faixa. Há uma alteração na velocidade que fica sensacional, como se fosse uma atmosfera diferente, te jogando num refrão que gruda facilmente. Nem por isso deixa de ser uma composição majestosa de instrumental e voz. Faixa matadora!
 
Não deixando a peteca cair, Revenge of the Fifth vem pra tomar seu lugar de faixa-título do CD.  Me perdoem os fãs ferrenhos, mas o riff inicial lembra uma das antigas do Rise Against que não me recordo o nome. Mas só o riff, porque depois a faixa toma seu próprio caminho. A bateria está destruidora mais uma vez. Apesar de ser a faixa mais longa até aqui, ela não cansa. Pelo contrário, do meio pro fim vem um instrumental absurdamente bem feito, bálsamo para o ouvido dos fãs de uma boa música. Depois temos mais do mesmo, mas ela deixa seu papel bem produzido e marcado. Musicão!
 
Red Paw’s Race, faixa mais longa do que as demais, começa bem mais calma que todas, mostrando boas linhas de baixo junto do chimbal, e mesmo quando as guitas entram o som fica naquela levada mais good vibes, antes da ganhar a velocidade característica da banda, sempre denotada pelo baixo marcadão. Essa faixa tem os vocais mais diferenciados do álbum, acredito. Mostra a boa versatilidade das vozes presentes. É uma faixa mais tranquila, como um todo, mas mantém o bom nível do CD, envolvendo seu ouvinte. Há um momento em que ela parece ter terminado, mas aí vem um interlúdio muito bom, que te joga num solo longo e gostoso de ouvir, acompanhado pela boa qualidade dos outros instrumentos. Música muito bem montada.
 
Achilles traz uma tônica um pouco mais regrada, mantendo o tom da faixa anterior. Parece ser a faixa que divide o CD para sua parte final. Não chega a ter uma dinâmica muito desenvolvida, fica no mesmo compasso, com excessão de um bom solo no seu fim. Faixa ok.
 

 
 
Como forma de compensar a música anterior mais ou menos, The Architect vem rasgando. A velocidade impressiona, pelo menos no meu caso. Acabou sendo umas das minhas faixas preferidas do disco, já que sabe cadenciar a velocidade com técnicas bem interessantes. O baixo também mostra sua cara com maior efetividade. Mesmo na hora em que fica mais lenta, a faixa acaba acalentando seus ouvidos. Boa música!
 
As Above, So Below tenta manter a rapidez da faixa passada, mas parece não ter uma identidade própria. Não me pegou. Mesmo nos momentos mais trabalhados, acaba não empolgando tanto.  
 
Carpe Diem acaba por equilibrar o estrago que havia sido feito. Começa mais cuspida, mas depois toma forma e se mostra uma daquelas faixas mais conceituais, juntando diferentes retalhos de técnicas e formando uma peça das boas. Apesar de ser uma das músicas boas do CD, há uma hora em que me canso da mesma tônica das demais músicas, o famigerado bate-estaca do hardcore. Mas aí não tem muito o que mudar.
 
Parece que os caras também sacaram isso, porque na faixa derradeira, Generation Debt, há uma mudança brusca no estilo do som, ficando algo ainda pesado, só que mais trabalhado e virtuoso. Acho isso legal porque mostra a versatilidade da banda. Uma das faixas mais trabalhadas do CD, tanto no lado instrumental como nas vozes. Dá pra dizer que fechou com chave de ouro um CD competente. 

Essa resenha foi bem escrita: Sim Não