O mais recente álbum da banda Bring Me The Horizon, lançado no inicio desse mês, já tem uma grande repercussão ao redor do mundo, ganhando criticas positivas quanto à nova sonoridade da banda. Por enquanto já atingiu as paradas do iTunes em primeiro lugar na Austrália, em primeiro lugar nas paradas do Reino Unido e em 11º lugar na Billboard americana.
 
A banda vem comentando do significado do álbum em algumas entrevistas, como as dadas para Pitcam.TV e a Impericon.
 
Sempiternal é uma expressão arcaica inglesa que significa eterno, vem do latim sempiternus. Já o logo na capa do disco, chamado "A Flor da Vida" (Flower of Life) tem um grande significado entre a vida e o universo. Sykes diz que a capa representa isso, a mistura do eterno com tudo isso e que era exatamente por isso que ele estava passando no momento.
Quanto as letras, Sykes diz que chega em um momento na vida que você tem que aceitar alguns acontecimentos e ser forte o bastante para querer mudar.
Sobre a  sonoridade, Lee diz ser a mistura dos dois últimos álbuns com um adicional aos aspectos eletrônicos que agora se encorporam nas músicas.
Julia Schoucair
 

1. Can You Feel My Heart. Logo no começo já se percebe que a pegada do CD é diferente. Os eletrônicos misturados com a bateria dão entrada a uma faixa cadenciada, que difere do que a banda já fez até aqui, com muito peso e melodia menos utilizada. A levada dessa faixa é de certo modo melancólica, pois além de ser mais lenta tem uma letra com grande carga emocional, aparentemente trás o relato de algo verídico, mas não cheguei a me inteirar sobre isso. A música segue sem muitas variações até seu fim, mas nem por isso deixa de ser uma bela faixa, com um trabalho primoroso do tecladista estreante e do baterista habilidoso.

2. The House of Wolves Essa faixa lembra bandas de hardcore melódico como Comeback Kid, pois tem peso e melodia balanceados e com uma levada hardcore característica. O refrão dela tem um jogo de vozes interessante, que recebe como fundo um solo de teclado pouco perceptível, mas presente durante todos os momento em que o refrão aparece. O primeiro breakdown do disco aparece aí, ao final de um dos refrões. Oliver prepara o caminho com sua voz imponente e as guitarras mostram um belo trabalho de sincronismo com bateria e baixo. O mais interessante é perceber como o breakdown não ficou apenas nas batidas "secas", mas evoluiu para outras trocas de notas e técnicas, fazendo com que a música não soasse repetitiva. Depois de mais um trecho melódico, outra dose de break, pra finalizar com o clima pra cima, rápido e intenso. 
 
3. Empire (Let them Sing). A segunda faixa pesada do CD começa com um vocal "limpo" e batidas que aumentam na medida do tempo, dando a sensação de prepação pra algo ainda mais pesado. Logo aparecem os sintetizadores simulando cordas clássicas, fazendo plano de fundo pra um som pesado, parecido com o álbum anterior a esse. Há um trecho só com voz, bateria e guitarra, intimista, e logo depois aparece um breakdown mais trabalhado, com pausas assíncronas que recebem apoio de bateria e teclado nos momentos de "silêncio". Nesse momento aparecem os vocais mais agressivos do vocalista no dito álbum. É a musica que pode ser tida como a cara do "novo" BMTH: instrumental muito bem trabalhado, poucos e sábios breakdowns, melodia e peso belamente intercalados e vocais idem. Pode não ser uma das faixas mais empolgantes, mas leva a cara da banda.

 

 4. Sleepwalking. É a primeira balada do CD, bem chiclete para os padrões da banda, sem vocais nervosos, se mantendo no melódico. Porém na  primeira saída do refrão, há uma intercalagen de breakdown e vocal mais forte, que logo é aplacada. No final vemos um breakdown mais trabalhado, com mais peso que o anterior, mas que também não dura muito tempo. Faz sentido, já que essa é uma das faixas mais leves do CD. 

 

5. Go to Hell, for Heavens Sake. Mantém o ritmo mais cadenciado da faixa anterior, com poucas variações de velocidade e técnica. Apesar de ser uma faixa lenta, tem alternâncias entre momentos mais calmos e outros mais rápidos. Chama a atenção o trabalho de Matt Nicholis nas bateras dessa faixas, mostrando um bom preenchimento na maior parte da música. O teclado mantém sua atuação de outras faixas e se personifica durante toda a música em questão.
 
6.Shadows Moses. Principal faixa do disco, começa com elementos eletrônicos  vocais instigantes, que te atraem para a música. Enquanto o volume aumenta, a sensação é de que vem chumbo grosso logo a frente. E o chute é certeiro. As guitarras trabalham com riffs habilidosos, que contrastam com o fundo melancólico do sintetizador de Jordan Fish. Logo aparece aquela bateria hardcore para deixar o ouvinte animado e os fãs enlouquecidos nas apresentações ao vivo. Típica trilha sonora de um circle pit. Logo após esse peso, chegamos num breakdwown arrebatador, combinado com riffs curtos e agudos que aguçam a audição. Desculpe as viagens, mas é difícil não se empolgar com essa música tão ludibriante. A impressão que se tem é que a música vai te levar pra algum lugar, e logo você entende onde. O refrão é um momento de refrigério na música, meio que um momento de respiro depois de tanta curtição, e trás os mesmos versos do comecinho da música com um fundo de verdade. Logo temos outro break para completar a experiência de começo, meio e fim maravilhosos. Nessa altura você percebe como o CD demonstrou uma maturidade inesperada na banda. Inesperada porque poucas bandas mudam pra melhor desse jeito, agregando elementos ao invés de simplesmente mudar o jeito de tocar. Aplausos para os jovens de Sheffield.
 
 
7. And The Snakes Start To Sing. Retorna a "paz" que reinava antes de Shadow Moses, com maior tempo de desenvolvimento de cada trecho da faixa. Tem uma presença forte do sintetizador/teclado, atuando como faixa mais musical e reflexiva do que qualquer outra. Os vocais limpos de Oliver Sykes impressionam demais, visto que poucos cantores conseguem fazer essa diferenciação de técnicas. Há trechos mais pesados, mas a faixa é extremamente calma. Uma das melhores do disco, sem brincadeira.
 
8. Seen It All Before.  Segue o mesmo ritmo da anterior, mas dessa vez mais musicalidada, menos centrada no vocal. Dessa vez quem chama a atenção é a bateria e as guitarras, com uma bela combinação de melodias. Os vocais de duas vozes soam muito bem, e lembram os tempos gloriosos do Underoath, pelo menos pra mim. Apesar de ser uma das faixas mais pop ela consegue manter o alto nível do CD, e só peca por não ter muitas variações, mas sim ter apenas uma variação refrão-melodia, explorada diversas vezes. Apenas no fim que vemos algo novo, mas tarde demais, creio eu.
 
9. Anti-Vist. Faixa pra destruir em shows e eventos. O trabalho do baixo após o início pesado é maravilhoso, e dá margem a futuros walls of death, mesmo ocorrendo após o começo da música. Durante a execução pesada e rápida vemos bons breakdowns e riffs, sendo uma daquelas características faixas de bandas metal/hardcore, que são ótimas de se ouvir, mas que não tem um ingrediente para se atribuir muitos adjetivos. Faixa boa, apenas.
 
10. Crooked Young. Considero a faixa mais enigmática do CD. Começa com muita rapidez, pancadaria, e teclado maravilhosamente orquestrado. Você acha que vai lidar com uma faixa lenta, quando percebe uma torrente de ironias, que logo são explicadas. O "fuck your faith" explica isso. A música é uma crítica de certa maneira pesada ao cristianismo. Misturando ironias e melancólicas verdades para quem as canta, a música segue numa alternância de peso das estrofes e leveza nos refrões, com uma primorosa musicalidade, diga-se de passagem. Talvez a faixa gere alguma polêmica por onde a banda passar. 
 
11. Hospital For Souls. Pra fechar o álbum uma música, digamos, lenta, mas com adereços de peso, como tempos mais esticados das notas (técnicas progressivas) e vocais um pouco rasgados. Chegando nessa altura não há muito o que falar. O que o CD tinha que apresentar foi feito. Não que a música não seja boa, mas depois de tantas faixas marcantes ela acaba ficando de certo modo solto na história. Sempre preferi álbuns que colocassem uma música impactante na última faixa, mas poucas fazem isso. Enfim, belo CD, recomendo aos fãs da banda e de música pesada.  
 
Danilo Soares

 

Essa resenha foi bem escrita: Sim Não