Em meio as provas e trabalhos de fim de semestre na faculdade, falta tempo para cumprir os pequenos compromissos, como a promessa de postar essa resenha. Mas como bons discos sabem o jeito de mexer com a gente, cá estamos nós!

Um CD novo sempre tem o poder de conquistar ou dividir fãs. E é bem difícil, pra não dizer impossível, que ele não integre um desses grupos. Porém Die Knowing parece tornar-se um ponto fora da curva nesse sentido, sendo um álbum que divide a crítica, pelo que tenho visto até agora.

Lançado há cerca de um ano, o álbum trouxe uma nova sonoridade da banda, mudança essa influenciada principalmente pelos novos integrantes que chegaram, mesmo que ambos não tenham participado completamente do processo de composição e gravação desse trabalho. Apesar disso, há sim elementos que demonstram um novo rosto para quem já está na estrada há quase 15 anos. Esse tipo de mudança nem sempre é bem caracterizada, e não raras vezes acaba por afastar os fãs do passado, o que pode criar um novo grupo de entusiastas da banda, ou definir um certo fracasso nas vendas. Ainda não ficou claro em que setor o CBK chegou com esse disco, mas pelo a ver pelas críticas, sei que não será fácil definir se eles se deram bem ou não, vejamos o porque.

Como eu disse, considero que um CD que divide os fãs possa fazer sucesso com uma nova galera, ou simplesmente agradar os de raiz e permanecer com a mesma base de fãs, genericamente falando. Porém tenho ouvido as mais diversas críticas ao álbum Die Knowing, o que mostra que o disco agradou e chateou muita gente por aí. Aqui mesmo no MPSI, quando o CD saiu houve opiniões do tipo: “parece que esse CD não foi mixado, saiu direto do estúdio para vendas!” Minha opinião no começo foi inconclusiva, mas não considero isso relevante porque é algo que ocorre com frequência. Se um CD não me captura na primeira vez que eu o escuto, preciso de mais algumas audições até que ele venha cair no meu gosto, ou definitivamente ele não fará meu perfil.

Die Knowing foi um desses filhos que precisa ser ouvido com mais tempo e até mesmo atenção. De primeira eu gostei, mas não fui pinçado por ele. Aí passaram-se os meses e acabei com desejo de escrever sobre o disco, subitamente. Sendo uma das minhas bandas prediletas, não entendia o porque de não ter falado sobre o CD ainda. Mesmo com o desejo em mente, não fiz o texto. Porém vendo um vídeo de algumas músicas do disco sendo executadas ao vivo percebi que ali tinha coisa boa, sim, e parti para a escrita. Sendo assim, vejamos os pontos que mais gostei no CD.


Em geral, a banda permaneceu fazendo um som pesado e com doses adequadas de melodia vocal. Algo que me chamou atenção foi o bom conjunto de vozes do CD. Os jogos de backing vocal estão harmoniosos, e os berros tenazes. Uma coisa que pode causar estranheza é a forma como o trabalho foi mixado, acho que mais visível nas guitarras. Elas parecem usar uma afinação diferente, ainda mais se comparado com os álbuns anteriores, mas nada que estrague a experiência de ouvir Comeback Kid. Pelo contrário, parece haver mais equilíbrio nas músicas, principalmente se ouvir músicas antigas e comparar com as do dito CD.

O CD é aberto pela faixa que dá nome ao disco, um instrumental de 2min que demonstra de forma enxuta a nova tonalidade da banda. A velocidade das músicas diminuiu, mantendo o peso e a consistência de sempre. A faixa serve também como pequena introdução à primeira música do CD, Lower the Line. Nela temos mais velocidade que na intro, com um vocal meio insano, e um tempo que demora a ser quebrado. Quando a música fica mais cadenciada, você acha que vai ter calmaria, mas logo a velocidade retorna, nos trazendo algum tempo depois a técnica que a banda mais aprimorou ao longo dos anos, na minha opinião: os bons breakdowns. Só de ouvir a guitarra sonorizando sozinha já imagino os bate-cabeças que essa faixa deve estar protagonizando pelo mundo. Começo em alto nível.

A segunda faixa, denominada Wasted Arrows, acabou me conquistando aos poucos, e hoje é uma das minhas preferidas do disco. Começa toda cheia de energia, como um epílogo de uma grande obra. Em menos de um minuto você já começa a balançar os cabelos efusivamente, dominado pela potência que a música apresenta. A junção de chimbal e bumbo é mui bela e sonoramente agradável, como pequenas estilingadas nos tímpanos. As repetidas falas acabam se tornando justificáveis pelo conjunto musical. A pausa perto dos 2min de música dá um tom de: cansamos, mas não paramos. Faixa sensacional.

Sem deixar o bastão cair, o álbum continua elétrico e contaminado com muito peso. A música que vem na sequência, Losing Sleep, parece ser uma daquelas sem grandes momentos, como aquelas faixas que são boas mas não o suficiente para entrar na lista de melhores da banda. Ainda assim a força impressa por ela pode gerar boas rodas em shows. A participação do vocalista da banda Devil in Me deixa as coisas mais obscuras, e dá um toque de unicidade à música. Apesar do seu breakdown não ser o mais original, acaba sendo bem encaixado na música.

Aí vem o primeiro single do disco, Should Know Better. A primeira imagem que veio à minha cabeça vendo o clipe foi: eles mudaram. Saiu de cena aquela banda de origens cristãs do começo desse século para dar lugar um conjunto que inseriu mais elementos pesados (musicalmente falando) no seu hardcore, acompanhado de tendências meio polêmicas, como product placements em um clipe. Para quem criticava o consumismo, acaba sendo algo meio irônico, no mínimo.

 

Mas com relação à música, tem tudo para ser um dos principais singles da banda nos próximos anos. A levada tem bem a cara de uma faixa chiclete, porém sem perder sua robustez. Talvez essa música consiga unir um pouco de cada época do CBK. Tem a energia dos primeiros álbuns, o vocal dos últimos, e um feeling próprio da nova formação. Na verdade todas músicas desse CD tem esses elementos, mas essa em especial parece capturar tudo isso de uma forma mais abrangente, deixando-a com o jeito de abre-alas da banda.

Chegando na sexta faixa você percebe que o negócio veio realmente pra abalar: mais uma pedrada, sem dar pausa pra pensar ou engolir o que já veio até aqui. I Depend, I Control vai ganhar os corações que gostam de uma dança. A faixa tem um espaço temporal intenso, e com certeza é mais das que irão embalar bons moshpits. São menos de 2min de rapidez, vocais curtos e cuspidos de forma bruta, sem contar mais um breakdown com cara de original, isto é, sem ter aquela coisa de: parece que já vi isso antes. Talvez eles sejam tão aceitáveis por mim por ser fã de longa data da banda, mas prefiro acreditar que estão realmente bem feitos.

Somewhere in this Miserable até assusta no começo. Cadê o peso da primeira metade do álbum? Apesar de ser mais tranquila, a faixa consegue deixar uma mostra importante do som da banda atualmente. Existem bandas de hardcore que não conseguem sair daquele som bate-estaca, mas esse som vem para mostrar que eles não fazem parte desse grupo. Mesmo sendo uma música mais tranquila, não deixa de te fazer balançar e se admirar com os bons arranjos das guitarras e jogos vocais, coisa que sempre me chamam a atenção.

Beyond me decepcionou.Tem cara de ser aquelas faixas arrasa-quarteirão, para fazer um wall of death mesmo em casas menores. Mas na primeira entrada de notas harmoniosas o riso sai do rosto, e vem um pouco de frustração. E o pior é que sempre que a ouço lembro disso. Porém você acaba se acostumando depois e gostando dela, por ser mais uma com pegada. O baixo aparece de forma mais consistente nessa faixa, e os elementos já explorados em outras músicas recaem aqui também, como completude.

 

Aí vem vindo o grupo que representa a finalização do álbum. Pra começar, duas músicas calmas e únicas, na minha opinião. Unconditional tem um tempo mais esparso, e vocais mais carregados de sentimento, sem uma necessidade de fazer impacto sonoro. Me lembra até mesmo um pouco de Have Heart, mas bem de longe. Depois ela fica mais rápida, mas é um mero detalhe. Conseguiu ser a maior faixa até então, talvez a mais trabalhada também. As notas no final dela me lembram uma música do Stick to Your Guns, que não me recordo agora e estou sem internet para pesquisar. Mais um detalhe irrelevante.

Didn’t Even Mind. Sem dúvidas a faixa mais pop desse CD. Mas cara, não consigo deixar de repeti-la a cada ouvida. É simplesmente bela e bem arquitetada, com um leve toque de preciosidade perto das faixas anteriores. Pode ser que tenha sido feita pra vender mesmo, mas nem me importo, me conquistou. Não é necessariamente barulhenta ou enérgica, mas consegue aliar bons sentimentos em notas cheias e um compasso dançante. No final dá uma quebrada monstra, que dá vontade de bater-cabeça até na galera mais parada, como eu. Melhor faixa de longe. Pelo menos pra mim, é claro.

 

Full Swing te faz acordar do sonho que é ter uma faixa do Comeback Kid calma e boa ao mesmo tempo. Pancadaria e incentivo ao início de rodas é o que temos na mesa mais uma vez. Em dado momento, Andrew Neufeld dá uma de Scott Wade e rememora os vocais bizarros do CD Wake the Dead, momento que todos fãs do passado devem ter percebido pelo menos uma vez.

Quando você percebe, está na uma faixa, Sink In. Dá uma assustada o primeiro berro estridente no começo, mas depois você acostumada com o dueto de voz e guitarra guiados por um chimbal meio aberto. Não consegui ter uma opinião concludente sobre essa música. Ela é boa, é pesada, tem evidentes traços de música comercial, mas parece não se encaixar em nenhum dos perfis desenvolvidos anteriormente. Talvez seja justamente essa a ideia da música, fechar tudo o que já foi visto, ser algo de certa forma original, sem ter que recorrer a elementos que não estão no álbum em si. Ela acaba fazendo o fato de ouvir cada música na sequência fazer sentido, despejando tudo nela, ao final de tudo. Tecnologia, não foi dessa vez que você ganhou: random desativado, para o bem geral dos meus ouvidos e opiniões.

Como forma de fechar essa longa resenha, deixo pra vocês um dos vídeos que mais tenho visto esse ano. Não consigo parar de ver e me emocionar com essa apresentação ao vivo dos caras. Um banho de boas energias.
 

 

Essa resenha foi bem escrita: Sim Não