Olá, pessoal do MPSIROCK! Antes de tudo, gostaria de agradecer pela oportunidade de escrever por aqui e desejar-lhes que minhas análises sejam úteis à galera que procura por recomendações e reviews de álbuns. Essa é a minha primeira resenha, então espero que gostem!

 

Pois bem... já faz algum tempo que tive o meu primeiro contato com os trabalhos do Architects (“Hollow Crown”, 2009) e do Stray From The Path (“Make Your Own History”, 2009; “Rising Sun”, 2011). Muito embora não seja EXATAMENTE a proposta de ambas as bandas, e eu não seja um exímio apreciador ou conhecedor do gênero mathcore/chaotic hardcore/djentcore/qualquer-outro-nome-que-dêem-core, pode-se dizer que estes foram, sem sombra de dúvida, os abridores de portas para qualquer possível e eventual contato meu com o Converge.

O Converge foi criado no inverno de 1990, na cidade de Salem, Massachusetts. Hoje, com tecnicamente 22 anos de banda, oito álbuns de estúdio, duas compilações, dois EP’s, dois splits (incluindo um com o Napalm Death), um DVD e mais uma série de demos e singles, a banda segue ainda uma influência no cenário mundial do metal/hardcore... de acordo com a nossa querida Wikipédia, claro! hahahahaha, brincadeira galeris! :D

Para muitos, o divisor de águas da carreira da banda foi o Jane Doe, lançado em 2001, época em que ainda não eram assinados com a já consagrada Epitaph Records, então é inevitável que, nesta ou em outras resenhas, hajam inúmeras comparações entre este álbum e os demais. Afinal, foi o começo da natureza insana e esquizofrênica do som do Converge. Então partindo para o All We Love We Leave Behind, que é o verdadeiro foco deste review, a primeira impressão que tive ao ouvi-lo foi de um retorno às origens. Não que todos os outros trabalhos deles tivessem se desviado excessivamente do foco original, mas o Jane Doe foi capaz de concentrar aspectos de caráter extremamente emocional e impulsivo, como num lampejo de inspiração, logo, verdadeiramente sincero. Os dois álbuns que vieram em sequência (“You Fail Me”, 2004; “No Heroes”, 2006) deram destaque, respectivamente, em especial à melancolia e à rapidez tiradas do Jane Doe.

Depois veio o Axe To Fall (2009), disco que contou com a participação de inúmeros convidados e adicionou alguns pontinhos a mais na escala de brutalidade da banda, bem como introduziu elementos melódicos cruciais para a evolução de seu som como um todo. Estes incluiram solos de guitarra e passagens muito mais harmônicas e trabalhadas do que as de seus lançamentos prévios. “All We Love We Leave Behind” consegue equilibrar todos esses elementos com aquele toque de espontaneidade que justamente tornou o “Jane Doe” tão especial. Destaque para a timbragem geral do álbum, que soa com uma produção impecável (trabalho de Kurt Ballou, também guitarrista da banda), e para a artwork criada pelo vocalista Jacob Bannon, responsável pela maioria da arte dos trabalhos anteriores do Converge desde 2001.

Portanto, à tracklist! “Aimless Arrow” introduz o álbum com linhas de guitarra e riffs que lembram muito o seu predecessor. Como de praxe, o disco já começa com uma pedrada na cara: sem aviso prévio e com levadas tão desesperadas quanto quebradas, correspondendo às expectativas já naturalmente altas. “Trespasses” dá continuidade ao som abrupto, trazendo consigo um belíssimo solo. Mais urgência e velocidade dessa vez, até terminar em “Tender Abuse”, numa transição perfeita (fenômeno recorrente durante o álbum). Esta faz parte das rapidinhas que ‘não dão nem dois minutos’, ao lado de “Sparrow’s Fall”, “Vicious Muse” (detentora da introdução de bateria mais punk rock clássico do disco inteiro!), “Shame In The Way” e “Precipice” (interlúdio), a maioria delas eventualmente se revelando músicas EXTREMAMENTE rápidas! Em contrapartida, há também a presença de trechos bastante arrastados ao longo da execução, tornando perceptíveis tanto os lados mais grind do Converge, quanto os sludge.

Em meio à aparente desordem sonora, no melhor sentido possível da expressão, surge “Sadness Comes Home” para agir como o contra-peso, mas sem perder a velocidade. Isso demonstra não apenas uma excelente lição sobre o uso de dissonância, se formos levar em consideração uma infinidade de bandas atuais interessadas apenas em soar ‘br00tais’, sem nenhum conceito ou propósito a seu favor, mas também um enorme bom-senso criativo quando se trata de induzir climas mais harmônicos na construção do setlist.

O disco flui sem perder o ritmo e o balanço certos, passando por “Empty On The Inside” (atenção ao toque espetacular principalmente nos clean vocals de Bannon, aqui e na “Coral Blue”), “A Glacial Pace” e “Veins and Veils”, dá uma certa folga na bela “All We Love We Leave Behind”, arrasta a “Predatory Glow” e termina sem a usual música interminável que fez parte da gigantesca carreira do Converge ao longo de todo esse tempo. Pra falar a verdade, foi mais uma evolução do que um demérito, na minha opinião. Apesar da complexidade e da agressividade evidentes em sua música, creio que aqui valha a máxima “menos é mais”!

Destaque especial, mais uma vez, para a sonoridade ao mesmo tempo crua e sólida alcançada por Ballou na produção, que proporcionou um aspecto muito peculiar e muito interessante ao peso das músicas, simultaneamente.

Colocando em termos: um trabalho mais do que sincero e dedicado, de uma banda mais do que merecedora do espaço que conquistou, sem medo de serem eles mesmos artisticamente e sem medo de continuar seguindo em frente! Com certeza, vai pros melhores de 2012!

 

Abaixo seguem os links para o vídeo-clipe de “Aimless Arrow” e para o stream da edição especial inteira do álbum, respectivamente, ambos pelo canal da Epitaph Records no YouTube!

 

 

 


Essa resenha foi bem escrita: Sim Não