Quando a Fall Out Boy anunciou seu hiato em 2009 a mídia e o público ficou em choque. A banda estava em sua melhor fase com o disco Folie A Deux, e durante esse período o quarteto se dedicou à outros tipos de gêneros musicais, e em silêncio e sem conhecimento da mídia, a banda se reuniu para salvar o rock and roll. Mas será mesmo?

 

O disco começa com a explosiva e emocionante música "The Phoenix", que faz valer cada minuto de espera dos últimos anos para ouvir uma música da Fall Out Boy novamente. A energia desta faixa passa por todos os pontos altos do disco. Baterias fortes, guitarras distorcidas, cordas tensas, eletrônico pesado e o vocal rasgado de Patrick Stump que cada dia fica mais potente! Mas esta música nos alerta "Eu vou mudá-lo como num remix; E vou levantá-lo como uma Phoenix", nos preparando para o que está por vir.

A segunda faixa "My Songs Know What You Did In The Dark (Light Em Up)", que é outra boa canção do disco, nos enche de vontade de cantar em alto e bom tom. Uma boa sacada da banda em colocar os dois singles logo de cara, que te sugere ouvir o álbum até o final. O porém, é que daqui pra frente o disco começa a ficar mais maçante e de certa forma repetitivo. Não estou dizendo que é um disco ruim, mas que as músicas seguintes são muito menos impactantes como foram os dois primeiros singles.

 

Diferente do guitarrista Joe Trohman e do baterista Andy Hurley que durante o hiato se dedicaram à músicas mais pesadas em suas respectivas bandas With Knives, FocusedXMindes e The Damned Things (esta última que conta com ambos), o baixista Pete Wentz passeou por um mundo mais próximo da música eletrônica com a Black Cards, enquanto Patrick Stump gravou seu disco solo Soul Punk, voltado para um R&B, pop com uma levada de funk (o original, não estes que temos de montes aqui no Brasil). Estes dois últimos aparentam ter escrito e composto completamente o disco, porque diferente de seus antecessores, onde eles não se importavam com a mídia, este disco é composto músicas pop bem mainstream, cheio de eletrônicos e refrões chiclete cantados em coro, que são ótimos para uma apresentação ao vivo, visto bem claro em "Miss Missing You". 

Quem saiu perdendo com isso foi Hurley que praticamente gravou baterias eletrônicas, sem "aquela" pegada de grande baterista. Já Trohman só não se deu completamente mal porque ainda podemos ouvir por aí alguns riffs interessantes, como na faixa "The Mighty Fall", onde uma guitarra (ainda que repetitiva) tem uma leva destas novas bandas de rock, tipo a The Black Keys. Esta mesma aparece com destaque no disco, tendo coros vocais e emoção na voz de Stump, mas conta com a participação totalmente desconexa e perdida do rapper Big Sean.

Outra música marcante do disco é a faixa de número oito, "Death Valley", que começa basicamente com um violão e voz, e se transforma num excelente hino empolgante de baterias marcadas, onde Patrick passeia por seu range vocal indo de tons graves à falsettos altíssimos marcantes em toda a carreira da Fall Out Boy.

 

Os pontos fracos do disco se encontram nas faixas "Where Did The Party Go", que poderia ser uma música da Katy Perry e é relativamente fraca perto do resto do disco. "Just One Yesterday", bem analizada por um amigo meu, é nada mais nada menos do que uma cópia de "Rolling In The Deep", da Adele, e que ainda pra complementar conta com a participação feminina da cantora Foxes. "Young Volcanoes" é uma boa música, mais íntima, acústica, mas remete muito ao que a banda Fun. vem fazendo ultimamente de forma brilhante, e eu vejo esta faixa sendo facilmente cantada por Nate Ruess, fora que essa levada meio "música tema de copa do mundo" não me agrada muito.

 

O disco encerra com a épica "Save Rock And Roll" que, além de ter uma aura de música gigante, ainda conta com nada mais nada menos do que Sir. Elton John, única participação especial realmente válida para o álbum, que forma um dueto magnífico com Stump e encaixou perfeitamente com a idéia que o álbum quis trazer.

 

É um disco de músicas fortes, que ao vivo com certeza terão um grande destaque, mas pode soar confuso esta sonoridade pop para uma banda de rock. Já não estamos mais falando dos quatro meninos que tocam pop punk que ganham prêmios como o Teen Choice Awards, estamos agora lidando com quatro rock(pop)stars que sabem exatamente de seu lugar e que querem algo ainda maior. O "Save Rock And Roll" está aí pra isso: Para terem em suas mãos os fãs, as rádios, televisões, estádios lotados e prêmios significativos, mas que está longe de "salvar" o rock and roll.

Essa resenha foi bem escrita: Sim Não