Olá, leitores do MPSIROCK e possíveis fãs de Killswitch Engage, o ano de 2013 provavelmente será muito bom pra vocês! Se no ano passado o frontman Howard Jones (também membro fundador da banda de mathcore “Blood Has Been Shed”) pede um tempo e marca o retorno do vocalista original Jesse Leach para a gravação do novo álbum, 2013 finalmente entrega os frutos dessa mudança. Pra melhor ou pra pior!

 

Ok, eu nunca fui exatamente um mega-fã de KsE, mas desde que comecei a me interessar por esse tipo de música, me ensinaram que origens são importantes. E o Killswitch Engage é, indiscutivelmente, uma das principais origens do metalcore moderno, mais no que se refere à parte “metal” do gênero do que ao “-core”. Os riffs extremamente característicos, criados pelos guitarristas Adam Dutkiewicz e Joel Stroetzel, virariam, mais tarde, referência para uma geração inteira de bandas consecutivas!

O Killswitch Engage foi formado no ano de 1999, na cidade de Westfield, Massachusetts. Originalmente com Leach nos vocais e Dutkiewicz na bateria (eventualmente, o segundo assumiria as guitarras e toda a produção dos álbuns da banda, e de várias outras similares também, tornando-se uma figura conhecida na cena metal/hardcore americana), lançaram dois álbuns nessa formação. Agora, tenho de admitir que não ouvi tanto desses dois primeiros álbuns como deveria, então meu julgamento sobre eles vai ser só um pouquinho superficial, hahahahaha!

Mas contrapondo as fases Leach (“Killswitch Engage” e “Alive or Just Breathing”, de 2000 e 2002, e “Disarm The Descent”, de 2013) e Howard (“The End Of The Heartache”, “As Daylight Dies” e “Killswitch Engage”, de 2004, 2006 e 2009, respectivamente, além do DVDSet This World Ablaze”, de 2005), eu pude notar algumas diferenças e traçar uns paralelos.

Como ouvinte principalmente da fase Howard, eu percebi uma série de aspectos principais dentro do Killswitch Engage naquele período: muita melodia, riffs com bastante uso de harmônicos artificiais por parte das guitarras, breakdowns, alguns blast-beats soltos e vocais muito variados. Isso tudo proporcionava ao som da banda uma diversidade que foi, acredito, responsável por mantê-los tanto tempo no topo do “hall da fama” de metalcore da Roadrunner Records. Em comparação com os primórdios, ainda contando com Leach nos vocais, houveram algumas críticas quanto às suas habilidades técnicas e, além disso, pude notar uma utilização bem menos frequente de harmônicos artificiais na construção dos riffs dentro das músicas.

Pois bem. Em 10 anos, a voz muda. A técnica melhora, o som cresce e o Killswitch Engage definitivamente está em sua melhor forma. Pessoalmente, eu ainda fico com os vocais do Howard, mas se tratando do “Disarm The Descent” isso não passa de uma questão estética. O álbum soa pesado, técnico e mais ou menos como uma volta mais trabalhada às origens (cortesia, de novo, do guitarrista e produtor Adam Dutkiewicz), e é exatamente aqui que os fãs provavelmente se dividirão. Se o Howard inspirava mais diversidade, a via de regra agora é constância. As músicas se ligam naturalmente umas às outras, QUASE que atingindo o limite da monotonia, mas felizmente não.

The Hell In Me” abre o disco com um dos dois principais jeitos de se começar um álbum de metal e hardcore: com um chute na cara. Aqui já se tornam audíveis um aumento no uso de blast-beats por parte do baterista Justin Foley (como atestado pelo próprio em recente entrevista sobre o álbum) e a potência dos berros de Leach. “Beyond The Flames” segue já com um início também muito rápido, mas com um pouco mais de melodia, e estampa de vez a solidez da formação atual da banda. “New Awakening” é praticamente a síntese de quase tudo que é o KsE hoje, com riffs rápidos, pesados, melódicos e bem característicos. Destaque especial pra um trecho da letra que GRITA a plenos pulmões: “I would rather die than live my life in fear!”. “In Due Time” é, até agora, o único single do álbum e começa de forma bem similar à sua antecessora, com refrões marcantes e bastante potencial pra virar hino entre os fãs, ao lado de “No End In Sight” e da faixa de abertura. Nota-se que já se completam 1/3 do release e nada de descanso aparente!

A Tribute To The Fallen” mantém a pegada e dá espaço pra “Turning Point” (detentora de um belíssimo mini-solo, mas que ainda não chega muito perto dos clássicos do Killswitch) e “All We Have”, que resolvem aumentar uns pontinhos na escala de peso do cd. “You Don’t Bleed For Me” retoma um pouco da melodia e encerra a segunda parte, de três, do álbum. “The Call” pode descrever o seu refrão com apenas uma palavra: BLAST-BEATS! Me lembrou muito o estilo das linhas de batera do álbum de 2006 “The Fall Of Ideals”, do All That Remains, mas isso fica pra outro review (:3)! “No End In Sight” é outra das já anteriormentes citadas como potenciais hits do verão-não-brasileiro-mainstream, e segue com muita melodia, peso e mais refrões.

Indo pro final, “Always” dá uma abaixada meio delicada no ritmo: a depender de como, quando e onde você ouça, pode soar agradável ou muito monótono. “Time Will Not Remain” finaliza o disco sem conseguir recuperar totalmente a queda de dinâmica proveniente da música anterior, em minha opinião. É como se ela não trouxesse muito bem um final definido (se você ouvir o álbum em looping, por exemplo, logo depois a “The Hell In Me” entra quebrando tudo de novo e a sensação fica estranha), mas isso não é suficiente para afetar a beleza do trabalho como um todo.

No geral, “Disarm The Descent” é o esforço sólido de uma banda que dispensa apresentações. E eu acho que é apenas uma questão de tempo até que as mudanças na formação entrem em harmonia com o legado que o conjunto carrega há mais de uma década. Nada que a banda ou os fãs não consigam organizar entre si! :P

 

Com vocês, deixo aqui embaixo o clipe oficial de “In Due Time”, single do álbum!

 

 

Essa resenha foi bem escrita: Sim Não