Essa volta do underground carioca se dá por 3 pilares: Brutal Alliance, Maieuttica e o público mosheiro. O evento, principalmente a partir de sua segunda edição, deu uma boa movimentada que a cena carioca NECESSITAVA, trazendo bandas de fora para tocar aqui. A Maieuttica tocava em alguns desses trazendo consigo um público fiel de outros carnavais. E o público, principalmente a galera do mosh, que comparecia na maior parte dos shows fossem eles grandes ou pequenos.

Ao longo de 2013, esses 3 se ajudavam e, juntos, traziam de volta uma cena que estava morta e que já foi motivo de piada. Em 2014, começamos a colher frutos desse trabalho em conjunto. Cada vez mais shows de post-hardcore e metalcore (a parte de shows especificamente mudou consideravelmente ainda em 2013) não só de bandas de fora mas também com uma boa quantidade de bandas locais e o mais importante: bandas boas.

Primeiro show que assisti do Maieuttica, conhecia a banda apenas de nome e eles estavam fechando o segundo Brutal Alliance, em março de 2013. Assim que começou o show eu me arrependi de nunca ter parado pra ouvir o som dos caras porque faziam uma apresentação impecável, com energia muito boa que contagiava totalmente o público.

Agora, falemos sobre o CD em si. Maieuttica faz um metalcore com boa influência do metal, nada é exatamente novo, mas tudo é bem feito e de maneira bem característica. Principalmente, os vocais. Frank é um excelente “berrador” e demonstra isso com facilidade nas apresentações ao vivo e dentro do estúdio. Allan tem um vocal, digamos, simpático. Num gênero em que é normal termos vocalistas melódicos que usam e abusem de falsetes (não que eu seja contra, que fique claro), Allan agrada sem precisar de firulas. E como dito acima, a parte instrumental da banda é bem competente, com destaque para a bateria.

Sobre as músicas, o CD já começa com a faixa “Maieuttica” que além de ter a participação mais que especial de Caio do Project46 (que se mostrou amigo da banda durante as gravações do CD) possui uma letra forte, “Eu vou pra onde devo!” é uma frase que me chama atenção desde o primeiro play no CD. Apesar de não gostar muito dessa prática, tenho que admitir que as regravações das músicas do EP ficaram excelentes.  As músicas novas estão realmente muito boas e mostram a evolução da banda que já começa a dar uma cara mais profissional pro seu trabalho(cenário nacional tem muitas bandas boas, mas de fato as profissionais são poucas, mas isso é papo pra outro post) e que, talvez tenha sido de propósito?, dá muita brecha pro mosh comer solto nos shows. Das antigas, a preferida é “Nosce te Ipsum” e das novas, “Carpe Diem” ganha disparado.

Quase um ano depois, a banda é responsável por reaquecer o underground carioca (seja com shows próprios ou com o próprio Brutal Alliance). Uma prova disso é justamente o full-length da atual banda mais expoente do RJ, com produção e “apadrinhamento” de Adair Daufembach. Eu não poderia estar mais feliz.

Essa resenha foi bem escrita: Sim Não