Quatro anos sem lançar nada e depois da conturbada saída dos irmãos Farro, fundadores da banda, todos acreditaram que a Paramore iria perder um pouco de suas características, mas o auto intitulado foi um tapa na cara de todos aqueles que duvidariam da capacidade de Jeremy Davis, Taylor York e obviamente Hayley Williams.

O gigante de dezessete músicas ocupa muito bem um pouco mais de uma hora de seu dia com hits atrás de hits compostos de letras sinceras que basicamente contam a história de todo o processo da banda em se recompor nestes últimos anos. Como no caso da primeira faixa do disco, "Fast In My Car", que chega quebrando tudo onde Hayley canta trechos como "Ninguém é o mesmo que costumava ser / Tanto quanto tentamos fingir / Ninguém é tão inocente quanto poderia ser / Todos cometemos faltas, todos pecamos" e continua " Mas agora estamos olhando para trás / Não tentaremos ressuscitar os mortos / Só queremos ver o que está diante de nós / Só queremos ver a frente". Esta mesma confiança continua na dançante "Now" onde ela diz "Se existe um futuro, nós queremos ele agora", faixa que proclama esta nova fase da banda, mostrando um amadurecimento importante na vida da vocalista, que culminou em letras muito mais inteligentes e sem censuras e interferências do resto do grupo.

O disco conseguiu juntar o melhor das fases clássicas com algo totalmente novo em áreas que a banda ainda não havia visitado, como por exemplo os coros vocais em "Ain't It Fun". Com a ajuda do produtor Justin Meldal-Johnsen, o trio conseguiu adicionar elementos eletrônicos de uma maneira inteligente que deixou o disco xom um "Q" electro-pop, sem perder os recorrentes riffs marcantes de guitarra, como podemos ouvir perfeitamente na chiclete "Still Into You".

Este passeio em novos ares resultou em músicas como "Part II", um hino no meio do disco que dá um ponto final no passado "Que vergonha, que vergonha / Todos nós deixamos coisas tão frágeis / Uma beleza meio traída / Borboletas com asas furadas / Ainda existem lugares obscuros no fundo do meu coração / Onde uma vez estava uma chama, agora há uma pequena faísca", referência descarada ao "Brand New Eyes".

O disco se encerra em uma épica canção de quase oito minutos que começa acústica e estoura no meio, dando importância máxima ao instrumental, que passeia por uma mescla de ruídos e distorção arrepiantes que finalizam com chave de ouro a melhor obra da Paramore.

Os pontos baixos do álbum são as faixas "(One of Those) Crazy Girls" que parece um pop rock dos anos 60 e todos os três interlúdios "Moving On", "Holiday" e "I'm Not Angry Anymore", que se desprendem totalmente do disco onde Hayley canta apenas com um ukulele, uma introdução do que está por vir, o que foi totalmente desnecessário, pois as letras e as composições falam por si só.

É com certeza a obra prima do grupo, que simplesmente deixou pra trás o seu passado, e agora mais motivados do que nunca, visam um novo capítulo que está apenas começando, e com todo este amadurecimento, a banda vai se manter no topo por muito mais tempo.

 

 

Essa resenha foi bem escrita: Sim Não