O novo CD do Skillet chegou após um período frutífero para a banda. O disco anterior, Awake, emplacou músicas em programas de TV, jogos de videogame e filmes, além de alcançar a marca de 1 milhão de cópias vendidas só nos Estados Unidos. Apesar de ter sido um trabalho que não agradou muito aos fãs mais antigos, ele veio para sacramentar a subida da banda dentre as demais que tem uma sonoridade semelhante. Não é a toa que hoje eles fazem parte do casting da Warner - através da subsidiária Atlantic Records. Mas o que esse CD tem de bom? Aliás, ele é bom? Vejamos abaixo.

1. Rise. A primeira música já demonstra uma das principais diferenças desse álbum para os anteriores: elementos eletrônicos em abundância. Isso não significa um CD ou faixa de EDM, mas sim uma fuga quase que total ao que restava de Comatose, último CD de hard rock puro da banda. O começo da faixa é ditado por uma combinação de vocal feminino - da baterista - e sons como de um teclado, culminando num começo característico da banda, com bons ataques de bateria e guitarras pesadas. A faixa em si alterna vocais entre baterista e vocal principal, com aqueles sons harmônicos de orquestra, muito usados em Comatose. Mas apesar do peso evidente, há de se notar que um fundo eletrônico insiste em aparecer, deixando a banda com uma nova roupagem. Pesada e criativa.
 
2. Sick of it. Foi um dos primeiros singles a ser lançado. Lembro bem o que um amigo disse ao ouvir a faixa pela primeira vez: bizarro! Não é para tanto, mas é a principal mostra de que o som da banda mudou, e que precisaremos deixar de compara-lo com CDs mais antigos se quisermos uma análise mais apurada. A música  começa com um bumbo ditando o tempo para que sintetizadores e vocais distorcidos consumam os segundos iniciais da música. Isso nos leva a um momento de peso, pausado, o que causa certa estranheza, já que não é do feitio da banda tal técnica. Passado o momento de peso inicial, a música mantém aquele começo de vocal-bumbo-sintetizador, trazendo a característica voz rouca de John Cooper como ponto a se apegar. A bateria entra com mais força, mas continuamos a ver a "nova cara do Skillet" presente. A música segue nessa linha, com um refrão que tem como boa característica os vocais combinados dos integrantes da banda. Ao final do refrão um pequeno solo de sintetizador, para acordar os  mais chatos. Um aparente breakdown aparece, antes da música terminar, o que anima ainda mais as coisas. E assim termina a faixa.
 
3. Good to be Alive. Ufa, rock de verdade! - é o primeiro pensamento quem vem à cabeça, até perceber que essa faixa é na verdade uma das mais lentas do álbum. Estranho estar logo no começo, mas tudo bem. Como faixa calma, não tem muito o que comentar, a não ser que é uma daquelas músicas a se encontrar em momentos cute-cute de alguma série norte-americana, ou por sorte em alguma rádio mais refinada. 
 
4. Not Gonna Die. Me conquistou logo de cara. A "orquestra" inicial me fez ficar atento ao que viria. E não houve dúvidas, era o antigo Skillet se manifestando! Uma introdução pesada, com alternâncias entre distorções e arranjos de cordas é o que dita a regra nessa faixa. Vocais rápidos também fazem a diferença em certos momentos. Um trecho mais lento, com a bela voz de Jen Ledger, nos faz achar que vem calmaria por aí, mas é ledo engano. O que se vê é um refrão mais calmo, mas com uma carga de energia muito interessante. Os vocais possuem uma variação muito bonita, e agradável de se ouvir. Há uma transição bem feita entre refrão e parte final, que trás um belo solo, que faz lembrar um pouco de Ben Kasica em seus tempos áureos. Faixa agradável.
 
5. Circus for a Psycho. Outra "das antigas". Começa com um belo riff combinado com vozes aparentemente infantis, demonstrando uma música - talvez - psicodélica, não só pela sonoridade como também pelo nome. A levada é rápida mas cadenciada. E quando os vocais chegam vemos uma faixa excêntrica, de certo modo. Os sintetizadores trabalham de forma potente. E o refrão dá as caras. Ele aparenta aquelas músicas que tocam no rádio, mas que eram moda há alguns anos atrás. Aqueles rocks legais pra balançar a cabeça, mas não 100% empolgantes. O solo é belo, mas pouco desenvolvido, repetindo técnicas. Acho que a melhor definição pra música em uma palavra é: dançante. 
 
6. American Noise. Não ouso dizer que a música não é boa, porque a banda já mostrou em trabalhos anteriores que sabe como fazer faixas lentas também. Mas é aquela coisa, você espera sempre algo pesado. Deixando de lado as expectativas, a música trás uma mensagem positiva, sobre dar voz ao seu coração na "barulheira americana". Acaba casando bem com a sonoridade calma e com certo peso, que sempre acompanhou a banda nas faixas menos rasgadas. Apesar de não ser um autêntico hard rock, ganhou meu respeito.
 
 

 
7. Madness in Me. Como se tivessem ouvido minha reclamação anterior, a próxima faixa vem fervendo e mudando o tom anterior. Mais uma que lembra a banda de antigamente. O fundo eletrônico dá um toque especial. O chimbau abrindo-e-fechando dá um balanço interessante na música, criando em você a vontade de bater o pézinho no chão. O refrão parece ser fácil de decorar e tem um belo trabalho das vozes. Nada de excepcional ou inesperado, mas é uma das melhores faixas do CD ainda assim, por permanecer num lugar-comum da banda em tempos anteriores, assim como algumas faixas que já passaram. 
 
8. Salvation. É uma daquelas faixas que começa na anterior. O fim da Madness in Me contém uma introdução para Salvation com um timbre de teclado que dita o início dessa faixa. Jen é quem comanda o vocal nessa faixa, pelo menos no começo. Logo John toma o microfone dela, e há uma alternância entre os dois no vocal de mais uma faixa calma. Só o fim do refrão que trás uns riffs mais possuídos, mas nada que altere o curso das coisas.
 
9. Fire and Fury. Mais uma faixa calma, sem detalhes para se comentar, além da alternância de vocais novamente presente.
 
10. My Religion. Essa é uma música estranha. Tem uma levada de banda  clássica, difícil até de definir. Southern, talvez. Versa sobre a fé banda. Interessante.
 
11. Hard To Find. Bela letra. Sonoridade equivalente. Tem grandes chances de figurar nas rádios americanas.
 
12. What I Believe. Pra fechar, mais uma com o estilo antigo, usando um pequeno trecho de orquestras, que se mantém como plano de fundo e os vocais de Jen novamente. A combinação dos vocais no refrão é bem bonita, e é um dos destaques da faixa. Faz com que o CD seja finalizado com chave de ouro - há menos que você tenha as três faixas bônus da versão deluxe. Se tiver, meus parabéns. 

Essa resenha foi bem escrita: Sim Não