Que a The Venetia Fair é uma das bandas mais malucas, caóticas e criativas dos últimos tempos, isso eu não tenho dúvida, mas quando você ouve o seu mais recente disco, "Every Sick, Disgusting Though We've Got In Our Brain", você percebe que toda essa bagunça é milimetricamente calculada.

A banda que desde seu primeiro álbum "The Circus" aborda esta temática circense caótica que mais parece um freak show e que poderia muito bem fazer parte de filmes do Tim Burton ou compor trilha sonoras do "Beatlejuice". E com isso podemos dizer que a Venetia Fair acertou em cheio, se destacando das outras bandas e de qualquer possível rótulo possível, liberando-os para tocar onde bem vier na telha.

O "Every Sick" marca uma nova fase do grupo, agora independente, e com uma pequena reformulação em sua formação, como por exemplo o ex-guitarrista Mr.Chark agora assume as quatro cordas do baixo e passa a bola para Michael Abiuso, que entrou no espírito da banda e não aparenta ser um membro novo.

O disco surgiu do investimento dos fãs através do Kickstarter que culminou no mais completo e diversificado álbum da carreira da banda, brincando com diversos ritmos e estilos. Além dos cinco integrantes, a banda pode contar com outros músicos na gravação de metais, harpas, sinos e elementos inusitados, que ao invés de serem feitos por sintetizadores como nos últimos discos, neste foram completamente orgânicos, como por exemplo os sons de passos e correntes gravados na faixa "(II) The Dirt Won't Keep Your Secrets".

Os músicos puderam ousar de todas as maneiras possíveis, como gravar guitarras em uma pedaleira quebrada e baixos em um cabeçote de guitarra, que segundo os mesmos, quando enviaram para manutenção o técnico alegou que o amplificador poderia ter pego fogo há qualquer minuto. Não podemos esquecer também de mencionar a maestria que são os pianos que praticamente dá a Venetia Fair este "ar" circense, como também as baterias que ditam todo o ritmo da loucura, enquanto o vocalista Benny Santoro, não só canta magnificamente, como conduz a banda literalmente como o dono do circo em letras provocativas e épicas, como por exemplo em todas as seis faixas que começam com os numerais (I, II, III, IV, V e VI) nas quais formam uma ópera rock e contam a história de um cientista que começa a ter problemas com suas crenças.

A The Venetia Fair concluiu o disco exatamente como (diz em seu próprio título) suas mentes doentes e repugnantes queriam, e de uma maneira geral, mescla lindas melodias, vocais fortes e toda a agressão de uma banda de rock, com canções muito bem amarradas que deixam o álbum linear e ao mesmo tempo caótico, que talvez muitas bandas talvez pudessem ter dificuldades em criar uma obra prima como é este disco, mas eles o fizeram, e o fizeram de forma fascinante. Com certeza um dos melhores discos do ano e dos últimos tempos.

Essa resenha foi bem escrita: Sim Não